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Porchetta + Rauchbier

O Mercado – Festival Gastronômico das Estações

No último domingo, dia 22/9, aconteceu a terceira edição do Festival Gastronômico “O Mercado”, no Modelódromo do Ibirapuera. Ainda que O Mercado não seja exatamente um festival cervejeiro, quatro das 62 barracas ofereciam diversas opções de cervejas artesanais, o que acabou transformando o evento em um destino cervejeiro. Só isso já faria com que o festival subisse no nosso conceito, mas a verdade é que O Mercado nos surpreendeu positivamente em todos os aspectos.

O Mercado 01

Chegamos ao Modelódromo por volta das 13h, e logo descobrimos a barraca da Cervejaria Nacional. Quem me conhece sabe que eu adoro a Mula, a IPA da cervejaria. Resultado: queimamos a largada e pegamos duas antes mesmo de decidir o que iríamos comer. Ainda na barraca da Nacional, descobrimos que a nova sazonal da cervejaria, a Ísis, seria lançada durante o festival, assim que alguma das cervejas fixas terminasse e houvesse onde engatar o barril. No final do dia, voltamos para prová-la. A base da Ísis é uma Mild Ale, refermentada com bastante mel silvestre. Como era de se esperar, tem um aroma incrível e provavelmente fará sucesso entre quem não é muito fã de amargor.

Da barraca da Nacional, seguimos em busca de comida. Começamos com o tempurá de lula com maionese de wasabi, do Miya, e choripán de cancha, do Arturito. Com cumbucas e copos em mãos, precisávamos nos sentar. No centro do gramado, havia duas tendas grandes com pufes e sofás. Não era difícil achar lugar para sentar. O festival contava ainda com mesas espalhadas atrás das barracas, para onde rumamos felizes com nossas iguarias. Assim que chegamos às mesas, começou a chover. Semiprotegidos pelas árvores, ignoramos. Quando acabamos de comer, porém, a chuva já estava forte demais. Nem guarda-chuva salvava. Corremos para uma das tendas e esperamos a chuva passar. Valeu a pena.

O Mercado 02

Fomos comprar mais fichas e passamos na barraca da Bamberg. Como ainda tínhamos R$5, aproveitamos para pegar uma Schwarzbier. Depois de enfrentar a fila do caixa (que andava rapidamente) e já munidos de um bom estoque de fichas, resolvemos testar uma harmonização. Optamos pela porchetta defumada à pururuca com molho de cachaça e jabuticaba, da Charcutaria, + Bamberg Rauchbier. Não tinha como dar errado, e realmente ficou perfeito. O defumado da Rauchbier obviamente combinou com o defumado da carne, enquanto a característica caramelada da cerveja harmonizou com o molho doce do prato.

Porchetta + Rauchbier
Porchetta + Rauchbier

Aí achamos pertinente fazer uma dieta e pegamos um cebiche de camarões com peixe branco em suco de tomate com ervas frescas, da Cebicheria Gonzales, e um vinagrete de polvo, da Neka Gastronomias. Para acompanhar a dieta, exercício: caminhamos até a barraca BEERD, onde encontramos a Founders Pale Ale, que caiu bem com nossos pratos light. Aproveitamos para dar mais uma passada na Bamberg e pegar uma Alt.

Já mais magros, descobrimos a porção de porco no rolete com farofa, vinagrete e torresmo, da Itaici Eventos. Ou seja, tivemos que voltar à Bamberg. Como não queríamos, a princípio, repetir cerveja, pegamos uma Bambergerator. A doppelbock combinou bem com o porco, mas o torresmo pedia uma Rauchbier. Talvez devêssemos ter harmonizado a porchetta com molho de jabuticaba com a Bambergerator, e deixado a Rauchbier para o porco com torresmo.

Bambergerator

Para saborear essas delícias, seguimos para uma das tendas. Por sorte, logo que nos sentamos, começou a apresentação da Gastromotiva, uma associação sem fins lucrativos que oferece cursos profissionalizantes em gastronomia para jovens de baixa renda, inclusive de outros países da América Latina. Achei o projeto incrível e fiquei bem feliz em conhecê-lo.

Porchetta
Porchetta

Quando a apresentação acabou, finalmente conseguimos um cardápio do festival. Eis que vemos a Cacau IPA, da Bodebrown em colaboração com a Stone, listada entre as cervejas da barraca Cervejário. Já não é segredo para ninguém que eu acho essa uma das melhores cervejas do mundo. Corremos para lá, claro. Não havia Cacau IPA. Pelo que entendi, a barraca trouxe poucas garrafas, que já haviam se esgotado. Uma parte de mim morreu naquele instante, mas me esforcei para não me deixar abater. Pelo menos ainda tinha a Double Vienna (com seu rótulo genial) da Morada, que estávamos querendo experimentar havia algum tempo. Pegamos também uma Hi-5, da 2Cabeças, e, sem muita preocupação em harmonizar, fomos atrás de mais comida. Escolhemos camarão e lula na manteiga de alho ao molho de gengibre, da X-Cook e Benihana.

hi-5

Para finalizar, porque ainda tinha gente com fome, pegamos o hambúrguer de cordeiro com maionese de hortelã, da M.A.B. Gastronomia. Estava tão bom que pedimos mais um. E já que a barraca da Bamberg estava logo ao lado, por que não tomar uma Raimundos Helles?

Antes de ir embora, ainda fomos às compras: queijo colonial de SC, do Mestre Queijeiro; gelatinas de cachaça (“sabor de infância”, de acordo com Leopoldo), da Cachaça & Afins; e geleias de abacaxi com jalapeños verdes e goiabada cascão com chipotle, da De Cabrón Pimentas. Durante essa última peregrinação, ainda acompanhamos a brassagem de uma IPA com jiló e boldo, da Lamas Bier, na barraca do Cervejário.

Brassagem da IPA com jiló e boldo.
Brassagem da IPA com jiló e boldo.

Acho importante dizer que havia, ainda, pelo menos três barracas de comida vegetariana e vegana. Além disso, as tendas estavam sempre animadas, com bandas em uma e DJs na outra. Depois que escureceu, o clima dentro delas era de balada. Dancei e tudo! Quanto às barracas de cerveja, a BEERD servia ainda os chopes Madalena e a Meantime Yakima Red; Cervejaria Nacional e Bamberg contavam com todas (ou quase todas) as suas cervejas; e o Cervejário oferecia rótulos da 2Cabeças, Bodebrown e Coruja, além da Saison à Trois, da Invicta + 2Cabeças. Os copos do Cervejário, no entanto, pareciam menores que 300 ml, divergindo do cardápio.

Suite tocando em uma das tendas.
Suite tocando em uma das tendas.

Já em casa, revisando o cardápio do festival para escrever este post, concluí que não experimentei nem metade do que gostaria. O que me deixou com água na boca: Chicharrones (costelinhas muito temperadas e crocantes, acompanhadas de milho andino), da Cebicheria Gonzales; tapioca de gorgonzola com abobrinha, da Aya Cuisine; lanche de linguiça de Bragança artesanal prensada, flambada na cachaça de alambique, coberta com queijos derretidos e creme de alho, da Linguiçaria Real Bragança; ragu de cordeiro com purê de batata e gruyère, queimado no maçarico, do Sal Gastronomia; clam chowder com pão de alho, da APC Brasil; Fila Brasileiro (mignon recheado com gruyère e gorgonzola, emapanado na farinha Panko), do Cão Véio; tapa de camembert de cabra, cebola caramelada em balsâmico e uva fresca, do Torero Valese; bolinho crocante de gengibre com lichia, confitura de rosas e pomelo, da Veri Noda; cannolo tradicional de ricota, frutas, cereja e pistache, da Cannoleria; e pão de cacau e pão jamaicano de banana e nozes, da Miolo Padaria Orgânica, para levar para casa. Aguardo ansiosamente a próxima edição d’O Mercado.